Nunca pensei voltar a escrever, mas sinto um enorme, um enorme desejo de me expressar, de desabafar, de falar com as paredes, ou sentir que alguém desse lado me está a ouvir a olhar para os caracteres que vou deixando por rasto no meio desta "folha digital" branca. A noite lá fora está escura, silenciosa, não há ninguém na rua e as almas que por aí vagueiam estão soltas, desprendidas, umas mortas, umas apenas vagueando em torno das ruas que fazem esquina com o talho do Sr. João, ou o cabeleireiro da Dona Paloma, ou até mesmo da frutaria da Ti Maria. Claro que estes nomes são tudo invenções, porque é giro, engraçado e fica sempre bem nestas "coisas". O silêncio é tanto, que a minha alma assusta-se. Está tudo tão parado, as folhas não mostram raízes, o coração grita e quer chorar, mas não tem sentimento suficiente para poder debitar palavras de ternura, de amor, de satisfação ou até mesmo para derramar várias lágrimas pelo soalho da casa ou o parapeito da janela, envolto por uma grande e longa parede branca, que destaca o prédio em dias de sol.
Isso dói isso custa, é estranho, um sentimento... Mas.. Será que se pode dizer que se trata de um sentimento? Vejamos. O coração grita mas não consegue chorar, logo alguma coisa de estranho se passa, certo?
Bem, deve ser apenas mais uma divagação de estar "parado" e ouvir músicas melancólicas à meia-noite e cinquenta e sete minutos. (escrever por extenso é engraçado).
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