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02/12/2011

Memórias de uma infância

Dias frios, manhãs geladas, em que o corpo estremecia mal se deparava com os ventos que insistiam em invadir a rua, antes de me dirigir para a primeira aula da manhã. Os "galões" que bebia todos os dias de manhã, relembram-me a junção do café com leite que me aconchegava de uma forma quente, terna alma e me dava a energia necessária para enfrentar mais um dia risonho, onde tristezas não me contemplavam.
Lembro-me do cheiro a terra molhada que me despertava os sentidos e apurava-me as emoções, do chá que bebia em momentos específicos do dia (mais frequentemente ao lanche, que assinalava o fim de tarde).
Recordo dos jogos de bola todas as manhãs e tardes em que eram jogados com garrafas de iogurte, dos beijinhos às escondidas nos intervalos, dos bilhetes trocados nas aulas, do choro intenso depois de mais uma negativa (desapontante). Os dias ensolarados tentavam cortar o frio e as nuvens mostrar a sua presença imponente, mas o calor que eu sentia não estava ainda descoberto. Era a timidez do sol que era irrepreensível. Tornava os dias deprimentes por vezes, e tardes sem sabor que esperavam por um maior e melhor aconchego, mas que acabou por nunca chegar.



André Prado 

2 comentários:

  1. A infância nao volta, as memórias, essas são inevitáveis.
    Tempos, onde tudo era quase perfeito e onde as complicações e as chatices só existiam no mundo dos adultos.
    Éramos crianças felizes e sem preocupações até que crescemos e tudo muda, sentindo-nos por vezes perdidos no meio de tanto pensamento, no meio de tanta confusão.

    As memórias, são agradáveis lembranças quase sempre, inquebráveis pelo tempo

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  2. A infância não volta ao nosso presente, a não ser nas nossas memórias. Mas da infância só trago as coisas boas, as más deixo lá atrás, mais ao fundo do baú.

    Mas recordar é viver :)

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